RSS
Posts

O brasileiro ficou mais formal nos últimos oito anos, mas os subiram mais para os informais. Entre 2003 e 2011, o rendimento médio real dos trabalhadores sem na iniciativa privada aumentou 39,2%, enquanto o salário dos trabalhadores com carteira avançou 10,9% na mesma comparação.

Em 2011, o ganho médio dos trabalhadores informais foi 6,1% maior do que no ano anterior, quase quatro vezes mais do que o reajuste real dos empregados com carteira assinada, de 1,4%.  Para os especialistas consultados pelo Valor, os mesmos componentes que criaram essa situação nos últimos anos – aquecido, aumento da e valorização do – estarão presentes em 2012 e contribuirão para dar continuidade a esse processo.

Para Naércio Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, o aumento do da população como um todo nos últimos anos teve forte efeito sobre os salários da parcela mais pobre. “Tradicionalmente, a categoria informal tem mais baixo, mas de 15 anos para cá, a melhorou muito, principalmente para a população mais pobre.”

Segundo dados da Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 39,1% dos trabalhadores sem carteira assinada tinham 11 anos ou mais de estudo em 2003. Em 2011, essa proporção saltou para 50,8%. “Com a evolução do nível de escolaridade dos trabalhadores informais, os salários também tendem a ser mais altos”, afirmou Menezes Filho.

Além disso, a política de valorização do salário mínimo, com aumento real acima de 60% desde 2003, tem impacto relevante sobre os trabalhadores sem carteira assinada, que o usam como um “farol”, segundo o professor.

Para José Márcio Camargo, professor da PUC-RJ e economista da Opus Investimentos, o aumento dos dos empregados informais está atrelado mais ao aquecimento do mercado de trabalho e, principalmente, do setor de serviços, do que à recente evolução do salário mínimo.

“Em geral, os salários no mercado informal tendem a ser mais flexíveis. Ou seja, é mais barato demitir e contratar quem não tem carteira assinada. Mas com muito baixa, os trabalhadores ganham poder de barganha e conseguem negociar aumentos maiores”, diz Camargo. Os ganhos reais mais expressivos obtidos pelos trabalhadores informais vieram nos últimos três anos – período em que a taxa média de desocupação teve queda importante, passando de 8,1% em 2009 para 6% no ano passado.

Além disso, Camargo ressalta que, com a valorização recente do real ante o dólar, a indústria perdeu competitividade, enquanto o setor de serviços ganhou dinamismo. Com a demanda aquecida e um mercado de trabalho apertado, os preços dos serviços subiram, e os salários no setor – que tem parcela importante de trabalhadores informais – subiram mais, proporcionalmente, do que na indústria, setor tradicionalmente mais formalizado.

“Os preços finais ao consumidor de serviços como cabeleireiro, manicure e pedreiro aumentaram muito nos últimos anos. Em contrapartida, os rendimentos daqueles que vendem esses serviços também avançou”, afirmou Fernando Mattos, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Cimar Azeredo, gerente da Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE, avalia que, de fato, a migração de trabalhadores informais para o setor de serviços contribuiu para a elevação dos salários dos trabalhadores sem carteira assinada. Azeredo destaca ainda que as estatísticas para o trabalho sem carteira assinada excluem os empregados domésticos, o que poderia, na avaliação dele, inflar ainda mais os números. No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o item empregado doméstico teve elevação de 11,38% em 2011.

Camargo e Menezes Filho acreditam que a conjunção desses fatores continuará nos próximos anos. Para Camargo, há um limite, que será dado pela pressão inflacionária derivada do mercado de trabalho aquecido. Em sua opinião, é preciso avançar em reformas microeconômicas que elevem a produtividade do trabalho para compensar o aumento de custos.

Para Mattos, do Ipea, ao menos no curto prazo essa dinâmica deve continuar, potencializada pelo aumento real de 7,5% do salário mínimo em 2012. Assim, a distância entre os salários dos trabalhadores formais e dos informais tende a diminuir mais. Em dezembro de 2003, um trabalhador que não tinha carteira assinada recebeu, em média, 60% do salário pago ao formal, percentual que subiu para 72% em dezembro de 2011. Para Azeredo, o salto de 12 pontos percentuais em oito anos é reflexo da evolução da conjuntura econômica e indica avanços na redução da . “O estreitamento dessa relação significa que está havendo melhora da qualidade dos empregos criados, com menos subempregos na economia.”

Fonte: Valor Econômico – 27.01.2012

Tags: , , , ,

O Comitê de () é formado, pela primeira vez desde a adoção do regime de metas de inflação, basicamente por “insiders” – funcionários do Banco Central (), cinco dos sete atuais membros, e sem economistas de bancos privados, “outsiders”. Como o se compara a seus pares? Será esta composição adequada?

A experiência internacional é bastante diversificada. Por exemplo, o Banco da Inglaterra tem uma estrutura rígida com cinco “insiders” e quatro “outsiders” no seu comitê. Os “outsiders” podem exercer outra atividade profissional. Atualmente, somente um “outsider” veio de um banco privado. O comitê do Banco Central Europeu (BCE) é composto por 13 presidentes dos dos países membros, com um misto de funcionários de carreira ou não, e seis membros do comitê executivo, que normalmente não são carreiristas do BCE.

O Fed, o banco central americano, tem um comitê com 12 membros, sendo sete do “board of governors” e cinco presidentes dos Feds regionais. Dos atuais, 20% vêm de bancos privados, 50% de acadêmicos e há somente um “insider”. No Banco do Chile, nenhum membro é proveniente de banco privado, sendo 40% de “insiders”. Por fim, dos cinco membros do comitê do Banco do México, dois são provenientes de bancos privados e tem um “insider”.

‘Pode parecer que a composição do Comitê não seja relevante à inflação, mas não é o que a evidência mostra’

Apesar de terem estruturas diferentes, a expectativa de mercado é que todos os bancos centrais citados acima devem cumprir a meta de inflação para 2012. O Fed não trabalhava com um regime de metas de inflação até a última reunião, mas mantinha a tradição de perseguir uma baixa inflação.

Pode parecer que a composição dos comitês não é relevante para o resultado da inflação, mas não é isso que a evidência mostra.

No caso da Inglaterra, os “outsiders” tendem a discordar mais frequentemente da maioria, em geral com posição mais favorável ao corte dos juros, especialmente em momentos recessivos. Existem algumas explicações para este resultado. De um lado, “insiders” tem menor incentivo para discordar dos companheiros de instituição, pois a interação entre eles continuará por mais tempo. Por outro lado, os “outsiders” são escolhidos pelo executivo, têm um mandato mais curto e podem querer, como resultado, agradar o governo.

No caso do Fed, a evidência sugere que os membros com maior experiência no governo tendem a votar mais frequentemente para abaixar as taxas de juros, possivelmente para agradar o governo. Por fim, a evidência para os países mais é que os “insiders” tendem a ter uma preferência por menor inflação, mesmo quando comparado aos acadêmicos. Essa maior aversão à inflação pode ser explicada pela preocupação em seguir os objetivos estabelecidos nos estatutos do banco ou talvez exista uma “autosseleção”, ou seja, o trabalho no banco central atrai profissionais mais conservadores.

Mesmo sem evidências para o caso brasileiro, algumas especulações podem ser feitas. Primeiro, pode ser um risco manter seguidamente Copom com membros majoritariamente “insiders”. A explicação é simples: caso se mantenha um importante diferencial nos da instituição e do mercado, os carreiristas podem ser atraídos pelo mercado ou talvez seja difícil para o BC conseguir atrair no futuro os melhores profissionais. Desta forma, o pool de profissionais competentes disponíveis para assumir o Copom ficaria reduzido, colocando em risco a qualidade.

Parece excessiva a atual participação de “insiders” no Copom (71%), como no passado já houve uma excessiva participação de economistas de mercado. Uma das grandes vantagens das decisões de política monetária serem feitas por um comitê, e não por um indivíduo, está relacionada aos benefícios da “heterogeneidade”: diferentes formas de pensar melhoram a qualidade das decisões. Experiência proveniente de profissionais de uma mesma origem restringe a base de conhecimento disponível para enfrentar problemas novos. Isso significa evitar “group-think”. Uma maior presença de economistas de mercado, e até de acadêmicos, pode evitar este problema.

As experiências mostram que profissionais do mercado podem contribuir de maneira significativa para a qualidade do trabalho dos bancos centrais. Pode parecer desnecessário esse comentário, mas ele responde a uma corrente que considera importante tornar o BC “independente do mercado”.

Por fim, é imprescindível que não haja a desconfiança de que o Copom queira agradar o executivo. Isso significa se preocupar um pouco menos com a inflação no curto prazo de forma a gerar alguns dividendos políticos momentaneamente com a maior atividade econômica. Nunca um novo governo democrático manteve o presidente do BC. Com a nova equipe, renova-se a desconfiança: será que a independência operacional será mantida? Como resultado, as expectativas de inflação sobem e o BC tem que ser mais austero para conseguir a mesma redução na inflação.

Os principais partidos políticos brasileiros (PT/PSDB) resistem em aprimorar o arcabouço institucional, de forma a mitigar essa desconfiança, dando a independência legal para o BC e mandatos fixos para os membros do Copom, alternados com o mandato presidencial. Ajustes na composição do Copom são desejáveis, mas a questão central é a eterna desconfiança.

Eduardo de Carvalho Andrade é professor do Insper, membro do CPP e Ph.D em economia pela Universidade de Chicago.  

Publicado no Valor Econômico em 26.01.2012

Tags: , , ,

Dinheiro e posse de bens de consumo podem ser sinais exteriores de prosperidade, mas o que realmente distingue com clareza a classe social à qual o brasileiro pertence é a . O levantamento Datafolha mostra que no topo da pirâmide, por exemplo, a maioria possui nível superior. Descendo um degrau, no que seria uma classe média alta, esta proporção cai significativamente, e o nível de instrução da maioria passa a ser o completo.

Assim vai até chegarmos à base da pirâmide, em que o mais comum é ser analfabeto ou nem sequer ter completado o primário, equivalente hoje ao quinto ano do ensino fundamental. Estudar é, portanto, o melhor passaporte para a mobilidade social. E, apesar de muitos brasileiros ainda terem uma escolaridade precária, a boa notícia foi que a distância entre pobres e no que diz respeito ao acesso à escola diminuiu.

Há dez anos, o Datafolha registrava que havia mais brasileiros que não tinham completado o ensino fundamental do que aqueles que possuíam ao menos o nível médio completo. Hoje, a situação se inverteu, e esse movimento teve papel fundamental na redução da e no crescimento da classe média no país, como comprovam alguns estudos.

O mais recente deles, dos pesquisadores Naércio Menezes Filho e Alison Pablo de Oliveira, ambos da USP (Universidade de São Paulo) e do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), mostra que 40% da queda da desigualdade no na década passada é explicada pela melhoria da escolaridade dos mais pobres.

O economista Marcelo Neri, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que chegou a conclusão semelhante em estudo divulgado em maio, lembra que a no Brasil nem sempre jogou a favor da redução da desigualdade. Nos anos 1970, durante o chamado “milagre econômico”, o avanço pífio da escolaridade fez com que os poucos brasileiros mais instruídos se beneficiassem muito mais do bom momento econômico do que os aqueles que estudaram menos tempo.

Na década passada, mesmo sem taxas tão altas de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), foram os mais pobres que registraram maior aumento na , permitindo que muitos mudassem de classe econômica, em boa parte devido à melhoria de sua escolaridade.

“A educação teve papel fundamental para explicar essa fantástica queda da desigualdade. E, nesse campo, muito do que foi colhido na década passada começou a ser plantado nos anos 1990″, afirma o economista. Neri se diz otimista com a continuidade desse processo. “Muitos, inclusive eu, acreditavam que o crescimento dessas classes era sustentado mais na oferta de crédito e de programas sociais. Mas hoje entendo que as pessoas estão ascendendo também porque estudaram mais e tiveram menos filhos.”

MENOS RISCOS

Priscila Cruz, diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação, lembra que quanto menor a escolaridade, menor a proteção contra crises econômicas. ”Se a economia desaquece, muitos dos brasileiros que migraram para a classe C beneficiados só pelo crescimento podem voltar para as classes D ou E. Com mais instrução, a pessoa tem mais força para reagir às adversidades e capacidade de migrar de um setor para outro.”

Para ela, no entanto, à medida que as diferenças em termos de acesso diminuem, aumenta a importância da qualidade do ensino. ”Cada vez mais, o que diferenciará as classes não será tanto o nível de ensino ao qual cada um chegou, mas a qualidade da educação recebida”, afirma.

Cruz avalia ainda que será um erro se boa parte dessa nova classe média fugir da escola pública em busca de mais qualidade nos colégios particulares. Seu argumento é que essa migração teria efeito prejudicial para a educação na rede pública e não seria garantia de melhor ensino, já que muitas escolas privadas, especialmente as que oferecem cursos mais baratos, têm também qualidade muito ruim.

por Antonio Gois – Folha de São Paulo / Especial ‘’ – 22/01/2012

Tags: , , ,

Nos últimos 15 anos a sociedade brasileira tem conseguido conciliar, pela primeira vez em sua história recente, crescimento econômico com progresso social. Isto tem chamado a atenção de analistas no Brasil e no resto do mundo. Afinal, na época do chamado “milagre econômico” o país também cresceu muito, a pobreza caiu, mas a distribuição de piorou. Hoje em dia, o crescimento também traz redução da pobreza, mas agora a dos mais pobres cresce muito mais rapidamente do que a dos mais . Qual o segredo?

Duas grandes mudanças aconteceram. Nos anos 60 não havia programas de transferência de renda e naquela época os avanços educacionais aconteciam primordialmente entre os mais ricos.  Entre 1961 e 1970 a taxa de crescimento média do PIB per capita (em termos reais) foi de 3,2%. Porém, o índice de Gini (indicador mais tradicional de ) aumentou de 0,49 para 0,57.  Entre 2001 e 2010, o PIB per capita aumentou 2,4%, mas o Gini declinou de 0,58 para 0,53. Vale notar que o índice de 0,53 ainda nos deixa muito distante dos países civilizados. França, Holanda, Finlândia, Suécia e Dinamarca têm índices em torno de 0,32. Entre 1960 e 1970, a renda dos 10% mais ricos no Brasil cresceu 66% e a renda dos 10% mais pobres apenas 28%. Entre 2001 e 2009, o processo inverte-se. A renda dos mais pobres cresceu 100%, enquanto a dos mais ricos, apenas 18%. Milagre?

A primeira explicação é que nos anos 60 a demanda por crescia a um ritmo superior à oferta, pois o aprofundamento da industrialização requeria trabalhadores qualificados que não existiam na época. Em 1970, 84% da população tinha no máximo o nível primário. Apenas 50 mil pessoas concluíram o ensino superior naquele ano, num pais com 92 milhões de habitantes. Isso fez com que os da pequena parcela da população que tinha ou superior aumentassem muito, o que provocou o aumento da desigualdade. Com as décadas perdidas de 80 e 90 veio o desemprego e a informalidade, e a desigualdade de renda gerou criminalidade.

Durante os anos 70, o PIB per capita cresceu em média 6%, aumentando o pique da década anterior, mas a desigualdade não se alterou muito. A década de 80 foi perdida em termos de PIB (crescimento médio de 0,85%) e de educação, enquanto a escalada inflacionária aumentava a desigualdade. Em termos educacionais, o número de concluintes no ensino superior estacionou em 220 mil pessoas durante toda essa década. As matrículas no ensino médio (antigo 2º grau) aumentaram somente 25% em uma década. Período de trevas.

Mas, a partir de meados da década de 90, as coisas começaram a melhorar. Entre 1995 (com a estabilidade econômica) e 2009 a média dos 20% mais pobres dobrou, passando de 2 para 4 anos de estudo. Interessante notar que entre os 20% mais ricos, a também aumentou 2 anos em média (de 8 para 10). Mas, a razão entre a média dos dois grupos caiu de 4 para 2,5. A situação dos pobres era tão ruim, que mesmo um aumento que os levou para ensino primário completo em pleno século XXI pode ser considerado um grande progresso.

Mas, quanto essa evolução educacional explica da queda da desigualdade? Os dados mostram que a educação foi responsável por 38% do crescimento da renda do trabalho entre os 20% mais pobres. O restante decorreu de aumentos do e geração de empregos formais. Além disso, a educação explica 42% da queda da desigualdade em termos de renda do trabalho e 26% em termos de renda familiar (incluindo as rendas de outras fontes) entre 2001 e 2009.

Com relação ao programa , a história é parecida. Como os mais pobres tinham uma renda familiar per capita muito reduzida no início da década de 90 e não recebiam nenhuma transferência do governo, qualquer valor recebido teria um impacto muito grande sobre sua renda. Assim, a renda familiar per capita média dos 20% mais pobres era de apenas R$35 em 1992, passou para R$50 em 2001 e R$85 em 2009.  A renda per capita não oriunda do trabalho (transferências governamentais) passou de apenas R$4 em 1992 para R$10 em 2001 e R$24 em 2009, ou seja, aumentou 500%!

Em suma, o avanço social que tem ocorrido no Brasil nos últimos anos ocorreu basicamente porque as pessoas das classes mais baixas eram totalmente desassistidas pelo Estado, tanto em termos educacionais como em termos de transferências de renda até o início dos anos 90. Assim, os avanços mínimos ocorridos nessas áreas tiveram impacto substancial na desigualdade. Porém, ainda teremos que percorrer um longo caminho para atingirmos um padrão em que as oportunidades sejam iguais para todos e independentes do berço.

Restam duas perguntas. Como a sociedade brasileira permitiu que 20% da sua população sobrevivesse com uma renda per capita média de apenas R$35 reais por mês até o início da década de 90? Por que nossa presidente parece obcecada com uma taxa de crescimento do PIB de 4%, quando na verdade a renda dos mais pobres, que elegem os políticos, este crescendo muito mais do que isso? Alguém arrisca uma resposta?

Naercio Menezes Filho, Professor Titular – Cátedra IFB; Coordenador do Centro de Políticas Públicas-CPP do Insper e Professor Associado da FEA-USP

Publicado, originalmente, no Valor Econômico em 20.01

Tags: , , , ,

O brasileiro passa cada vez menos tempo no trabalho. Dados do Censo 2010 revelam que o porcentual das pessoas que trabalham mais de 45 horas por semana caiu quase pela metade em uma década. Em 2000, 44% dos trabalhadores do País passavam mais tempo que isso no serviço, número que baixou para 28% em 2010. Isso significa que, em números absolutos, 5 milhões de pessoas deixaram de trabalhar mais de 9 horas por dia.

O número impressiona ainda mais quando se leva em conta que mais de 20 milhões de brasileiros – o equivalente a toda população da Grande São Paulo – ingressaram no nos últimos dez anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ao mesmo tempo, cresceu a proporção de pessoas que trabalham menos de 14 horas por semana – o salto foi de 3% para 8,3% do total da população economicamente ativa, um ganho de 5 milhões de trabalhadores. A maior parcela da população tem uma jornada semanal que varia entre 40 horas e 44 horas.

A redução da jornada de trabalho nos últimos anos está diretamente ligada ao aumento real no salário do brasileiro – hoje, ganha-se mais por hora trabalhada que em 2000 – e também à formalização do mercado de trabalho. A porcentagem de trabalhadores com pulou de 36% para 44% entre 2000 e 2010 – na contramão, os funcionários sem carteira de trabalho caíram de 24% para 18%. “A formalização do trabalho regula a jornada de trabalho e a hora extra. A empresa ou o empregador vão evitar de pagar hora extra, portanto, vão reduzir a jornada para o que é oficial”, diz Arnaldo Mazzei Nogueira, professor doutor da FEA-USP e PUC-SP.

Isso aconteceu, por exemplo, com grande parte dos entregadores da pizzaria Dídio, da Lapa. A profissão era bastante informal no início da década, mas pouco a pouco mais vagas com carteira assinada foram surgindo. Hoje, na Dídio, todos os entregadores trabalham em horário definido, com direito a férias e 13.º. “Dá uma tranquilidade que eu não tinha alguns anos atrás, quando trabalhava em outra pizzaria, não tinha hora para sair e ainda ganhava menos que aqui”, conta Eduardo Evangelista Nunes, de 50 anos.

No Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal, os trabalhadores com carteira assinada já são maioria da população. Mas alguns Estados ainda mantém um baixo contingente de profissionais com carteira de trabalho. Um exemplo é o Maranhão, onde apenas 20,8% são registrados. “Ainda há um grande contingente de trabalhadores sem regulação e que pode estar trabalhando jornadas insuportáveis”, lembra Nogueira.

O mercado de trabalho mais feminino, tendência da última década, também colaborou para reduzir a jornada. A diferença da participação entre homens e mulheres em postos de trabalho caiu de 20 pontos porcentuais para apenas seis em dez anos. “As mulheres costumam trabalhar menos horas do que os homens e a inclusão delas deve ter reduzido a média de horas semanais”, afirmou Regina Madalozzo, professora do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper).

No Piauí, Paraíba e Ceará, a mão de obra feminina já supera a masculina. Os outros Estados do Nordeste também lideram a porcentagem de mulheres no mercado. “Isso ocorreu por causa da melhora econômica da região, urbanização e expansão dos serviços e comércio”, analisa Nogueira. O professor lembra que essa redução da diferença entre gêneros não reflete uma igualdade salarial. Levantamento de maio do ano passado, também do IBGE, mostrou que o salário médio da mulher é 20% menor que o do homem.

Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, outro fator que pode ter influenciado a redução da jornada de trabalho foi o aumento da quantidade de pessoas que divide o dia entre trabalho e estudos, de olho numa melhor qualificação. “Pode ser que essas pessoas tenham diminuído um pouco a carga de trabalho para poder ter mais tempo de estudo.”

A formalização e o aumento da idade média dos trabalhadores deverá se acentuar nas próximas décadas. A perspectiva do País de se tornar a quinta maior economia do mundo até 2015 deverá exigir, sobretudo, um aumento da capacitação dos trabalhadores. “A palavra mais importante nos próximos anos será capacitação. O País vai precisar de pessoas capacitadas e qualificadas”, afirma Regina.

Fonte: Luiz Guilherme Gerbelli e Rodrigo Burgarelli – O Estado de S. Paulo

Apologistas tendem a enaltecer o primeiro ano da presidente Dilma. Dizem que, afinal, o governo aprovou tudo o que quis e, ademais, os índices de popularidade – comparados aos dos antecessores – são provas cabais de sucesso. Nada é tão simples: o Executivo enviou ao Congresso somente o inevitável e, ainda assim, não aprovou tudo. Temeroso, não encarou conflitos nem arcou com os elevados custos de negociação para uma nova agenda.

Objetivamente, jogou para não perder muito, e para não perder era vital manter a Desvinculação de Receitas da União (DRU). Quanto à popularidade… Ora, “as condições de primeiro ano” são de longe muito mais favoráveis a Dilma do que as de FHC, em 1995, ou de Lula, em 2003. Já para os apocalípticos da oposição, tudo está perdido: ressaltam-se a corrupção, a dificuldade de articulação, a base fisiológica, a deterioração da atividade política. “Afinal”, dizem, “sete ministros foram carbonizados, seis por escândalos. É a herança maldita de Lula”. Também aí há exagero: o saldo do ex-presidente é positivo e a complicada composição do governo é justamente a paga pela eleição de Dilma. Ainda assim, a presidente mostrou ser mais pragmática que seus antecessores e não hesitou em atirar ao mar quem pudesse comprometer o governo. Os problemas são estruturais e vêm de longa data.

Como sempre, a verdade está no equilíbrio: esse início de governo não foi o desastre anunciado pela oposição – uma presidente sem autoridade, incapaz, em contradição com o antecessor, que a impediria de governar; houve tensão, mas não se pode falar em fragmentação do bloco no poder instituído por Lula. No entanto, tampouco houve avanços: o País girou em torno do que inapropriadamente se chamou “faxina” – que, no caso, foi menos disposição de “limpar” do que reação aos estilhaços dos cristais que se foram.

Na verdade, houve retrocessos. Com a queda de Antônio Palocci e sem agenda clara, o governo perdeu o centro de negociação, a arbitragem e o equilíbrio entre desenvolvimentistas e ortodoxos; patinou em medidas de fôlego restrito. A inflação saiu do centro da meta e, mesmo assim, o crescimento se deu em patamares modestos; a autonomia do Banco Central foi questionada e uma relação controversa com o mercado se estabeleceu. Arranhou-se a imagem construída em 16 anos.

Há paralisia e impasses a mancheias e isso só não é mais evidente porque a crise internacional concentra atenções e permite sofismar: estamos bem porque os outros vão mal? É deplorável quando se chega ao ponto de torcer pelo agravamento da crise externa como freio à atividade econômica e à inflação internas. Algo precisaria ser feito, mas as dificuldades para o desenvolvimento sustentável se iniciam na inviabilidade política de reformas no âmbito do Estado, da economia e da sociedade.

Se o capital político do primeiro ano não foi integralmente consumido – são elevados os índices de popularidade -, tampouco foi bem aproveitado: houve desperdício do momento mais propício ao tensionamento e à decisão. Em política há timings e a oportunidade que se esvai se vai irremediavelmente. O governo, que poderia avançar, anda de lado – e é provável que assim permaneça.

Prognóstico arriscado, é claro, já que a História surpreende. Mas a agenda dos próximos anos não é animadora para quem quer surpreender-se positivamente. Há estoques de recursos que permitem ir tocando a mesmice, há reservas e políticas de incentivo à demanda que ainda podem dar alguma sensação de bem-estar. Podem-se empurrar com a barriga os conflitos mais sérios, como o tributário e o fiscal. E até porque, comparado ao mundo caótico, o Brasil é uma ilha de prosperidade, as circunstâncias de curto prazo dirão: não se afobe, não, que nada é pra já!

Uma é prometida para o início de 2012. Mas é pouco provável que altere a lógica da coalizão – distribuição de cargos e recursos em troca de apoio. É improvável que os partidos ofereçam algo melhor que os nomes que se esboroaram em 2011 – há uma inegável crise de quadros. Ademais, o corporativismo é forte e influente, será difícil consolidar pactos que limitem o populismo e a voracidade em ano de eleição. A menos que nos surpreenda muito, a reforma será limitada nos gestos e nos efeitos, servindo à retórica e à simples readequação de forças na base governista.

Por falar em eleições, é incorreto pensar que as municipais de 2012 obedeçam exclusivamente a lógicas locais. No agregado, o que estará em jogo será a formação dos times de 2014: o maior número de prefeitos e vereadores significará mais recursos, maior capilaridade territorial, mais cabos eleitorais, estruturas municipais e máquinas partidárias nas ruas. Nas maiores cidades, mais visibilidade e ainda mais recursos. A disputa de 2012 implicará maiores conflitos, mais gastos e concessões e uma agenda ainda menos criativa.

A pancadaria entre partidos tende a se aguçar; o fogo amigo e o tiroteio inimigo se avolumarão; como é óbvio, esquemas e escândalos ocuparão a mídia. Em paralelo, confusões em torno da Copa do Mundo… O que for preciso será feito para garantir a sensação imediata de crescimento e bem-estar. Portanto, não será um ano de avanços e melhorias institucionais, nem sempre populares.

Tudo plenamente articulado a 2014, o ciclo político-eleitoral será longo. Nesse cenário, os instrumentos tornam-se ainda mais limitados. Emplacar uma nova agenda, reformista, moderna e audaciosa não é prioridade. O problema está menos no governo de plantão do que no sistema político autofágico e na incapacidade de críticas mais profundas e certeiras. Apocalípticos não admitem a dificuldade de mudar, apologistas não reconhecem que há pouquíssima disposição para mudança.

Carlos Melo, cientista político, professor do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa e autor de ‘Collor, o Ator e Suas Circunstâncias’. 

Fonte: O Estado de São Paulo, 28.12

Tags: , , ,

A maior parte dos postos de trabalho gerados pelo crescimento da economia brasileira na última década foi preenchida por trabalhadores de baixa e com pouca qualificação. A maioria das vagas criadas desde 2000 foi ocupada por trabalhadores com remuneração de até dois mínimos, o equivalente a R$ 1.244 a partir de janeiro.

Segundo dados preliminares do Censo divulgados pelo IBGE recentemente, a proporção de trabalhadores dessa faixa de remuneração na força de trabalho foi de 49% em 2000 para 63% em 2010. Números do Ministério do Trabalho mostram que essa tendência continua em 2011. Até outubro, só houve geração de vagas com para quem aceitasse ganhar até dois mínimos.

Os trabalhadores desse grupo param menos tempo no emprego do que os de outros estratos de renda, de acordo com levantamento realizado pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) da Presidência da República. Em 2010, de cada dez trabalhadores desligados de seus empregos, oito recebiam até dois mínimos e saíram da empresa porque foram mandados embora ou porque decidiram pedir demissão.

“A economia brasileira foi capaz de gerar empregos para pessoas de e por isso reduzimos tanto a pobreza e a ”, diz o economista Ricardo de Barros, da SAE. “Mas a alta rotatividade é ruim.”

- De acordo com analistas, o aumento da proporção dos que ganham até dois salários mínimos está ligado à expansão do , que paga salários mais baixos. Segundo o economista Samuel Pessoa, da FGV, o crescimento da renda da população elevou a demanda por profissionais como cabeleireiros, garçons e faxineiras.

A forte expansão do setor de construção civil, que paga salários mais baixos do que a indústria, também contribuiu para a tendência, diz o economista José Camargo, da Opus Investimentos.

O economista Naercio Menezes Filho, professor do Insper, observa que nos últimos anos o piso nacional subiu num ritmo mais acelerado que o dos salários maiores. Isso tornou a distribuição de renda menos desigual, mas também gerou um efeito estatístico que contribuiu para aumentar a participação de trabalhadores de na força de trabalho.

Um trabalhador que recebesse R$ 400 ganhava mais de dois salários mínimos em 2000. Se sua renda tiver dobrado na última década, hoje ele receberia menos de dois salários mínimos. ”Mas houve um aumento efetivo da demanda por pessoas de baixa qualificação, além desse efeito estatístico,” ressalta Menezes Filho.

Fonte: Mariana Schreiber e Erica Fraga – Folha de S. Paulo, 27.12

Tags: , , ,

Com uma filha ainda pequena, a técnica em enfermagem Juliana da Silva Pereira, 28, casada, mudou de emprego há quatro meses por um belo aumento de salário mensal: de R$ 1.300 para R$ 2.200. Atuando no ramo para o qual se qualificou, a trabalhadora faz parte de uma estatística que a surpreendeu: no Brasil, as mulheres casadas ganham, em média, 19,8% mais que as solteiras, de acordo com um estudo do Insper.

“Sempre achei que as solteiras, por terem mais tempo livre, ganhassem mais”, diz a técnica em enfermagem. É assim nos EUA, de acordo com Regina Madalozzo, pesquisadora que orientou a pesquisa sobre o Brasil feita pela economista Carolina Flores. No mercado americano, solteiras ganham, em média, 34% mais que as casadas.

“Nos EUA, a presença das mulheres em vagas que exigem maior qualificação, como em empresas, é mais expressiva que no Brasil. Nesse ambiente, ter mais tempo para o emprego e possibilidade de viajar, o que é mais fácil para as solteiras, são pontos valorizados”, diz Madalozzo.

A pesquisadora ressalta que, no Brasil, ainda há uma grande concentração de mulheres empregadas em atividades de , como trabalho doméstico. ”E os patrões parecem encarar o fato de as funcionárias serem casadas como um indicativo de que são mais responsáveis”, acrescenta.

O estudo foi realizado com base nos dados do Censo 2000 do IBGE. Outra explicação possível para o resultado é que a mulher casada, pela segurança de uma familiar conjunta com o marido, possa investir mais tempo até encontrar empregos mais recompensadores.

“É possível que as solteiras se submetam com maior facilidade a mais baixos”, diz Madalozzo. “Mas creio que, à medida que o mercado brasileiro se desenvolva e as mulheres assumam mais postos qualificados, a situação no país se aproxime da dos EUA.”

O estudo revelou que, entre as mulheres casadas, as negras, pardas e indígenas ganham menos que as brancas, enquanto as asiáticas ganham mais. “Pode ser um reflexo da qualificação, mas esse grupo é pequeno; representa menos de 1% do total”, diz a pesquisadora.

Fonte: Carolina Matos – Folha de São Paulo, 17.12.2011

 

 

Está em discussão no Congresso Nacional o novo Plano Nacional de (PNE), que deverá vigorar entre 2012 e 2020. Um dos pontos mais polêmicos do plano é a expansão do gasto público com para 7% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2009 o valor foi de 5,7%. O relator acaba de defender o aumento dessa meta para 8%, enquanto movimentos sociais e entidades sindicais defendem uma meta de 10% do PIB. Por outro lado, alguns especialistas acham que é possível utilizar melhor os recursos já disponíveis, pois existem sérios problemas no uso desse dinheiro. Quem tem razão nesse debate?

Uma pesquisa importante, realizada recentemente pelo Ibope-Inteligência em parceria com o Instituto Unibanco, ajuda a jogar luz nessa questão. A pesquisa acompanhou 60 turmas do em 18 escolas, monitorando as aulas por meio do preenchimento diário de carga horária e fazendo uma pesquisa com os alunos para examinar o número de horas que eles se dedicam ao estudo dentro e fora da escola. Os resultados são surpreendentes.

Dobrar os gastos em educação em relação ao PIB resolveria o problema da falta de aula nas escolas? A pesquisa dividiu a escola em três grupos, de acordo com grau de efetividade do uso do tempo. Primeiramente, a pesquisa se concentrou no lado da oferta. Ou seja, se todos os alunos da escola estivessem presentes e quisessem aprender, quantas aulas eles efetivamente teriam? No grupo das escolas mais problemáticas, apenas 63% das aulas previstas foram dadas, nas escolas intermediárias 78% e no grupo das melhores escolas, 93%. No primeiro grupo, 20% das aulas não foram dadas porque o professor não estava presente! Nos restante dos dias não houve aulas devido a passeios, falta coletiva dos alunos etc..

Vale ressaltar que nas escolas problemáticas, apenas 61% das aulas efetivamente oferecidas foram ministradas pelo professor responsável pela disciplina prevista. Além disso, a pesquisa mediu o tempo efetivo de aula, descontando os atrasos etc.. A conclusão é que nas escolas mais problemáticas cada turma perdeu 19 dias letivos dos 48 que foram monitorados pela pesquisa. A pesquisa conclui que “os alunos desse grupo deixaram de ter acesso a 40% das potenciais oportunidades de ensinar previstas”.

E com relação às faltas dos alunos? A pesquisa mostra que dos 41 alunos matriculados nas escolas mais problemáticas, somente 24 (em média) estavam presentes nas aulas monitoradas, ou seja, uma frequência de 55%. Nas melhores escolas, a taxa de frequência não foi tão melhor assim, atingindo 66% dos alunos. A pesquisa então combina as oportunidades de ensinar com as oportunidades de aprender e conclui que apenas 32% do tempo previsto para aquisição de conhecimento foi efetivamente utilizado pelos alunos com esse fim.

Ou seja, das 4 horas de aula previstas por dia, apenas 1 hora e 17 minutos foi efetivamente utilizada pelos alunos para aprender nas escolas mais problemáticas. Mesmo nas melhores escolas, o efetivo foi de apenas 2 horas e 13 minutos. Assim, fica claro porque nossos alunos têm um desempenho pífio nos exames internacionais. Eles simplesmente não têm aulas. Será que dobrando os gastos educacionais com relação ao PIB nós conseguiríamos resolver esse problema?

Uma pesquisa parecida, organizada pela pesquisadora Barbara Bruns do Banco Mundial, mediu o tempo da classe efetivamente utilizado para transmitir conhecimento em uma amostra de escolas públicas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais. Os resultados mostraram que nessas escolas (em média), apenas 62% do tempo total de uma aula são usados para ensino, em comparação com 85% nos países mais bem-sucedidos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Assim, quase 40% do tempo de aula é utilizado para organizar a sala, fazer a chamada, manter a classe em silêncio ou o professor está fora da sala. Isso significa que, se o tempo de aula fosse melhor utilizado nas escolas mais problemáticas, elas teriam 88 dias a mais de aulas (num total de 200), sem gastar um centavo a mais.

Por fim, uma pesquisa recente realizada por professores de Harvard investigou os fatores que fazem com que as escolas “charter” americanas sejam mais efetivas, ou seja, que seus alunos aprendam mais. Essas escolas atendem alunos da rede pública, mas são geridas pelo setor privado. Os resultados mostram que aspectos relacionados a aumento de gastos, como tamanho da classe, gastos por aluno e dos professores não aumentam a qualidade da escola. Os fatores que tiveram maior impacto foram “feedbacks” constantes para os professores, tutorias, mais horas efetivas de aula e foco constante no aprendizado dos alunos.

Em suma, as evidências de que um simples aumento dos gastos não vai melhorar a qualidade do ensino no Brasil estão se acumulando por todos os cantos. Medidas simples de gestão teriam impactos significativos no aprendizado do aluno, sem aumento de custos. Enquanto isso, o debate na sociedade e no Congresso passa ao largo das evidências, concentrando-se no aumento dos gastos, que implicaria aumento de impostos sem contrapartida para a melhoria do ensino. Em 2012 será preciso mudar a agenda da educação no Brasil. Boas festas!

Naercio Menezes Filho; é professor titular – Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper e professor associado da FEA-USP, escreve mensalmente às sextas-feiras naercioamf@insper.edu.br

Fonte: Publicado, originalmente, no Valor Econômico em 16.12.2011

Tags: , , ,

Uma pesquisa inédita feita no Brasil revela que, ao contrário do senso comum, as mulheres casadas ganham um salário mais alto do que as solteiras. Que a vida muda depois do , todo mundo sabe, mas, seria possível existir, uma relação entre a aliança e o salário?

“Se a mulher é casada, ou ela tem, ou pensa em constituir uma família, e consequentemente ela leva o trabalho com mais responsabilidade”, diz a coordenadora de assuntos regulatórios, Ana Viana. É exatamente assim que as empresas enxergam a mulher casada, segundo uma pesquisa inédita feita no Brasil, com base nos dados do censo.

A comparação foi feita entre mulheres da mesma idade, mesmo grau de instrução, mesma experiência profissional e para o brasileiro, as solteiras valem menos do que as casadas.

Quem tem marido ganha, em média, até 15% a mais. “Provavelmente o que o casamento passa de sinal para o mercado é que essa mulher tem mais estabilidade, talvez ela seja mais responsável, talvez ela consiga acrescentar mais a empresa ou ao local que ela trabalha no sentido da estabilidade do que a mulher solteira”, fala a orientadora da pesquisa, Regina Madalozzo.

A pesquisa feita pela economista de 22 anos, Carolina Flores, solteira, surpreendeu, já que nos mercados de trabalho mais maduros, como nos Estados Unidos, não ter marido significa salário maior. “Devido ao número de horas e disponibilidade que as solteiras têm era esperado que as solteiras ganhassem mais do que as casadas”, diz a pesquisadora.

Mas no Brasil, as solteiras ganham menos e ainda trabalham mais. São duas horas a mais por semana, segundo a pesquisa. As mulheres brasileiras ainda estudam muito pouco. A maioria não passou do , segundo o IBGE e claro, não precisa de pesquisa para saber, quem estuda mais, ganha mais. “Acho que é estudar mesmo. Não tem essa história de arrumar marido para ganhar mais”, fala a analista de assuntos regulatórios, Ieda Martins de Oliveira.

Fonte: Daiana Garbin, Jornal da Globo-TV Globo 

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/12/estudo-diz-que-mulheres-casadas-tem-salario-mais-alto-que-solteiras.html

 

Tags: , , ,

Posts anteriores »