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Como melhorar a gestão do nosso Futebol? O futebol é uma das paixões do brasileiro. Entretanto, sua gestão deixa muito a desejar. Campeonatos disputados, grandes audiências e jogadas de craques convivem com a falta de profissionalismo, dívidas enormes e dificuldade de retenção de talentos. Como melhorar a gestão dos times do futebol e das federações? É possível gerir os clubes de modo mais profissional? Como reter os nossos craques? Esses são alguns dos temas que serão tratados no segundo CPP Debate do ano, promovido pelo Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper.Participantes:

Luiz Alvaro de Oliveira Ribeiro, empresário e atual presidente do Santos Futebol Clube.
Luiz Gonzaga Belluzzo, economista e ex-presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras.
Luis Paulo Rosemberg, economista e vice-presidente de marketing do Sport Club Corinthians Paulista.

 

Data: 05.06 (terça-feira)
Horário: 18h-20h
Local: Sala Amador Aguiar – 1º andar – Insper

*É de conhecimento do participante que eventuais filmagens e/ou fotografias realizadas no evento poderão ser utilizadas em qualquer meio de mídia para uso institucional.

Com a CPI do Cachoeira instalada e a decisão de mudar o cálculo da poupança tomada, e a ser anunciada nas próximas horas, a presidente Dilma Rousseff reúne hoje o Conselho Político. Nesse segundo encontro do ano, esses dois temas polêmicos são cruciais para o governo. A CPI do Cachoeira pode atingir amplos setores do . A alteração nas regras de correção da caderneta mexe diretamente com a aplicação financeira mais popular do país e, indiretamente, com a possibilidade de o país conviver com menores, que podem ser determinantes para ampliar as perspectivas de crescimento.

Embora o Instituto FSB Pesquisa aponte que 49% dos deputados federais são favoráveis à alteração das regras da poupança, o governo ainda terá muito trabalho pela frente. No mínimo, deverá se dedicar a conquistar a parcela de 19% dos parlamentares que não opinaram sobre o assunto – outros 31% não esconderam sua rejeição à proposta. Toda essa discussão espinhosa pode ocorrer em meio a sobressaltos na cena política, considerando o potencial de estrago da CPI que se propõe a investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários.

Ao criticar os juros altos praticados no Brasil, em pronunciamento em cadeia de rádio e televisão encampado pelas centrais sindicais nas comemorações do 1º de maio, a presidente Dilma busca consenso num momento que Carlos Melo, cientista político e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper),  classifica como “impasse programático”. ”O governo Dilma precisa ser mais ousado na gestão macroeconômica ou em . Mas, para a ousadia, a presidente não tem Congresso que chancele suas decisões. E, para avançar numa agenda microeconômica, a presidente não tem equipe”, pondera Melo que lembra do foco persistente do governo no binômio juro e .Esses dois preços da economia merecem atenção, mas não toda a atenção, até porque sua evolução está fortemente condicionada a ação do próprio governo. O juro está atrelado às ações do Banco Central. O , embora flutuante, segue subordinado a intervenções da autoridade monetária e do Ministério da Fazenda.

Fonte: Valor Online em 03.05.2012

 

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Fonte: Zero Hora

Num recente estudo da egípcia Mona Morshed, da McKinsey, a pesquisadora evidencia que diferentes redes de escolas públicas têm sucesso quando adotam medidas compatíveis com o estágio de avanço de seus sistemas escolares. Em outros termos: o receituário atual da Finlândia ou da Coreia não é o indicado para o Brasil.  O Brasil investiu pouco e tardiamente em Básica. Em 1930, enquanto a Argentina tinha 62% das suas crianças nas escolas e o Chile chegava a 73%, nosso país contava com apenas 21,5%. Apenas em 1997 conseguimos universalizar o acesso das crianças de sete a 14 anos ao Ensino Fundamental. Mas, logo em seguida, um sério problema de qualidade colocou-se no processo de ensino.

Finalmente, haviam entrado nas escolas os filhos dos não letrados ou de pais com baixa escolaridade. Naércio Menezes, da Insper-SP, mostrou, em artigos recentes, que o sucesso escolar depende, em grande medida, da escolaridade dos pais. Este é o grande desafio da Educação brasileira: como ensinar crianças cujos familiares, em muitos casos, não concluíram as séries iniciais do Ensino Fundamental. Certamente não é copiando fórmulas da Finlândia, país em que boa parte da população tem formação universitária. Os dados educacionais brasileiros são reveladores: na última aplicação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) com resultados divulgados, constataram-se avanços importantes em relação aos exames anteriores, mas, entre os alunos do 5º ano, apenas 34,2% aprenderam o que deveriam em língua portuguesa e 32,6%, em matemática.

No 9º ano, em língua portuguesa, a situação é pior: 26,3% dos alunos aprenderam o que deveriam e, em matemática, só 14,8%. No Ensino Médio, 28,9% dos estudantes dominam os conhecimentos em português. Em matemática, o pior resultado: 11%. No Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), teste organizado pela OCDE que permite avaliar a qualidade da Educação oferecida aos jovens de 15 anos, o Brasil também tem mostrado avanços, desde sua primeira participação em 2000 até a mais recente, em 2009, quando fomos o terceiro país que mais avançou. Mas, mesmo assim, estamos apenas em 53º lugar, abaixo da Romênia e do México.

Quais são as nossas tarefas nesse contexto desafiador? Em primeiro lugar, estabelecer um currículo nacional claro, que deve ser adotado em todo o país e complementado com conteúdos regionais. Alfabetizar as crianças aos seis anos, como fazem as boas escolas privadas e, nos três primeiros anos, concentrar-se em ensino da língua e de matemática. Investir no professor, valorizando-o, capacitando-o e dando-lhe instrumentos para o processo de ensino. Manter um bom sistema de reforço escolar, voltado às crianças com mais dificuldade em aprender. Adequar a Educação a cada fase do desenvolvimento da criança e do adolescente e evitar excesso de disciplinas com carga horária diminuta, fenômeno que assola o Ensino Médio.

Mais do que tudo, é fundamental termos persistência estratégica nos caminhos a serem seguidos para transformar a Educação. Esta é uma área que apresenta resultados no médio e no longo prazo. Mas, para obtê-los, é fundamental afastar o fisiologismo vigente na máquina em muitos Estados e municípios e manter continuidade e consistência técnica nas políticas educacionais. É possível!

Artigo por Claudia Costin, Secretária de Educação do Rio de Janeiro.

Publicado originalmente no Valor Econômico em 27.04.2012

A participação da indústria de transformação no PIB tem declinado nos últimos anos, atingindo 15% em 2011. Esse fato tem levado vários analistas a afirmar que está em curso um processo de no país. O governo, hiperativo, tem tomado várias medidas para salvar a indústria, como desonerações fiscais e aumento de impostos dos produtos importados. Mas, será que a existe mesmo? Em caso positivo, será que as medidas recentes do governo podem realmente salvar a indústria brasileira?

O processo que hoje chamamos de desindustrialização é conhecido na literatura econômica como mudança estrutural (“structural change”). Ele começa com o deslocamento dos trabalhadores da agricultura para a indústria e serviços, decorrente do crescimento da na agricultura. Isso ocorre porque, segundo Adam Smith “o desejo de alimentação é limitado em todos os homens pelo tamanho do seu estômago”. Depois disso, começa a transição dos trabalhadores da indústria para o setor de serviços, pois o número de geladeiras que uma família precisa é limitado, mas o número de vezes que ela pode viajar não.

Esse processo tende ser reforçado pelo aumento da produtividade no setor industrial, que faz com que um número menor de trabalhadores seja necessário para atender a demanda por produtos e maquinas na indústria. Retração como sinal de sucesso. Assim, a participação no emprego da indústria de transformação nos EUA, que em 1965 era de 24%, passou para apenas para 11% em 2005. No entanto, esse processo não levou à estagnação da economia americana, uma vez que a produtividade de seus trabalhadores aumentou continuamente, inclusive nos serviços.

Assim, a participação da indústria no PIB americano tem permanecido estável nos últimos 50 anos. Da mesma forma, a participação do tem declinado na grande maioria dos países do mundo, incluindo os latino-americanos, ao longo das últimas décadas. Curiosamente, a participação do emprego industrial no Brasil manteve-se estável nas últimas décadas, em cerca de 20%.

Assim, o processo de mudança estrutural ocorrido na maioria dos outros países não tem ocorrido no Brasil, ao contrário dos que advogam a tese de desindustrialização. Mas, a participação da indústria no PIB tem declinado. Qual o segredo? O problema está na nossa produtividade industrial.  A produtividade do trabalho na indústria de transformação brasileira cresceu entre 1965 e 1980, mas declinou continuamente nos anos 80. E após um breve aumento no início da década de 90 (provocado pela liberalização comercial), está estagnada desde então.

Enquanto isso, a produtividade do trabalhador industrial americano vem aumentando continuamente desde 1965, o mesmo acontecendo com o coreano, que ultrapassou o brasileiro no início da década de 90. Isso afeta diretamente a participação da nossa indústria no PIB e nas nossas exportações. Por que isso ocorre? Tudo começa com as nossas conhecidas deficiências de e infraestrutura. Além disso, as leis trabalhistas e tributárias que são alteradas todos os anos geram grande instabilidade jurídica e institucional.

As mudanças recentes para ajudar a indústria, por exemplo, criaram um emaranhado de regras e burocracias que tende a piorar a produtividade, tamanho o esforço necessário para entendê-las. Além disso, uma parte dos nossos empresários parece mais preocupada em fazer lobby no governo e na mídia do que em aumentar sua produtividade. Nas últimas décadas, o investimento em capital físico e a taxa de inovações tecnológicas na indústria tem sido pífias. Além disso, as técnicas gerenciais utilizadas por grande parte das empresas industriais brasileiras é bastante ultrapassada.

Em suma, enquanto na maior parte dos países a perda de emprego industrial foi compensada pelo aumento da produtividade, no Brasil a participação da indústria no PIB e nas exportações caiu devido à estagnação da produtividade. Para reverter esse quadro o governo teria que reduzir os custos tributários, melhorar a qualidade da nossa educação e infraestrutura e parar de alterar as regras a todo o momento. Além disso, teríamos que gerar mais competição e promover a eficiência. O governo não vai conseguir aumentar a produtividade da indústria à força de leis, nem transferindo mais dinheiro da sociedade para esse setor.

Por Naercio Menezes Filho, Professor Titular – Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper (naercioamf@insper.edu.br).

 

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Fonte: Luciano Máximo, Valor Econômico em 27.04.2012

As escolas públicas brasileiras, principalmente nos níveis fundamental e médio, estão perdendo espaço para os colégios particulares. Nos últimos dez anos, a básica municipal, estadual e federal, perdeu um total de 4,834 milhões de estudantes, enquanto o ensino privado ganhou 1,090 milhão de matrículas. De acordo com levantamento feito pelo Valor, na média calculada de 2002 a 2011 o setor público perdeu 480 mil matrículas por ano e o mercado educacional privado arrebanhou cerca de 110 mil novos alunos anualmente. Especialistas em arriscam várias hipóteses para explicar o ocorrido.

Uma das análises mais plausíveis é o do país associado ao aumento da , o que estimula famílias que ascenderam socialmente a tirar seus filhos da escola pública e colocá-los na particular.

Para Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos pela Educação, a nova brasileira cria um movimento de migração na educação. “É uma nova fronteira de classe. Há um consumo maior, a família compra um carro, passa a comer mais fora. Depois disso passa a aspirar mais coisas, como o ensino particular. Ela se dá conta que educação é importante para a manutenção na e até para subir de classe”, avalia.

Em dez anos, os maiores movimentos de aumento de matrículas nas escolas particulares e de perda exponencial de alunos nas públicas coincidem com os anos em que a economia brasileira mais cresceu. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou acima de 6% de 2007 para 2008, período em que os colégios privados matricularam 700 mil alunos e os públicos perderam cerca de 500 mil. Em 2010, quando o PIB cresceu 7,5%, a maior alta em 24 anos, o país registrou 400 mil novas matrículas no ensino privado e quase 1 milhão de baixas nas escolas públicas.

O economista Naercio Menezes Filho, coordenador da área de políticas públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), afirma que os números refletem “uma lógica natural”: “O fato é que se a família tem ganho de renda prefere matricular o filho na escola privada. É a preferência revelada, escolhe porque acha melhor”. Embora a mais recente Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE, referente a 2008 e 2009, aponte redução da participação dos gastos com educação nas despesas mensais médias das famílias brasileiras, Menezes Filho pondera que é preciso isolar algumas variáveis para verificar exatamente os aumentos por grupos de despesas.

“A família que gasta zero com educação interefere na média final, sem falar que a média é composta por outras variáveis. Se uma família gasta mais com alimentação e transporte do que com educação, isso acaba concorrendo com as despesas de ensino na média.” Além do fator econômico, a questão demográfica explica parte da perda de matrículas – em 2002, estavam matriculados 54,7 milhões de alunos até o ensino médio, número que caiu para 50,9 milhões em 2011, considerando escolas públicas e privadas.

O IBGE projeta queda de 20% da população de 6 a 14 anos até 2022. Outro fator que explica a perda de matrículas no setor público é a correção do fluxo escolar, com menos crianças na escola com distorção de idade, informa o Ministério da Educação (MEC), no documento “Resumo Técnico do Censo Escolar da Educação Básica 2011″, divulgado nesta semana.  Por outro lado, a percepção de que a qualidade do ensino público não vai bem pode influenciar migrações. Mas essa percepção pode ser um mito, diz Priscila. “É importante sinalizar que boa parte dos colégios privados tem resultado de escola pública. O que vemos é um novo mercado crescendo e é importante o governo ficar de olho, afinar a regulação.”

O economista Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann, pondera que seria importante conhecer a realidade socioeconômica dos alunos antes de tirar qualquer conclusão. “As pessoas das classes C e D provavelmente estão indo para escolas privadas não tão boas. Mas, sem dúvida, esse aumento reflete uma maior importância da pauta educação no Brasil”.

 

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Análise por Naercio Menezes Filho para a Folha de S. Paulo

As famílias brasileiras gastaram R$ 40 bilhões com em 2009, se somarmos todos os gastos declarados na Pesquisa de Orçamentos Familiares do IBGE (POF). Isso significa quase 1,3% do PIB. Somados os 5,7% gastos pelo setor público naquele ano, as despesas com no país alcançam 7% do PIB, acima da média de 5,9% dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Desses R$ 40 bilhões, 35% são gastos com matrículas no ensino superior, 30% no básico e o restante se divide em livros, cursos de idiomas, pré-vestibulares, transportes, uniformes etc.  Os gastos com pós-graduação aumentaram muito entre 2003 e 2009, refletindo a valorização dos profissionais com esse nível no mercado.  Entretanto, os gastos totais das famílias com educação diminuíram em termos reais nesse período (não acompanharam a inflação), passando de 1,9% para 1,3% do PIB.

O gasto médio das famílias com mensalidades do ensino básico no Brasil é R$ 200 e com faculdades privadas é R$ 460. A mensalidade das boas escolas privadas em São Paulo, por exemplo, ultrapassa R$ 2.000.  Por que as famílias gastam tanto com educação privada? No passado, as escolas públicas tinham qualidade. Quando a população dos municípios e sua média eram pequenas, a escola pública atendia apenas a elite.

Quando a população urbana dos municípios começa a aumentar e passa a ter condições de colocar seus filhos na escola, a rede pública perde condições de atender a todos com qualidade.  Não há professores com boa formação em quantidade suficiente para atender a demanda crescente. As mulheres de deixam a escola normal e passam a cursar outras faculdades, aproveitando a abertura do .

Nesse momento, a qualidade das escolas públicas começa a declinar, e o aumento da desigualdade faz com que surjam as primeiras escolas privadas, que veem na população crescente, com renda e insatisfeita com a escola pública, oportunidades para bons negócios.

Publicada em 22.04.2012

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A força de trabalho no Brasil vai crescer menos nesta década. Dados da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad) mostram que a parcela da população brasileira que integra o vai aumentar 12,97% no período. A alta do indicador é a menor desde a década de 80, período inicial do levantamento.O ritmo mais baixo do crescimento da força de trabalho faz com que o País tenha um avanço mais parecido com o desempenho da média mundial. Na década atual, o mundo crescerá 11,27%. Nos anos 90, a diferença entre o crescimento do Brasil e o do mundo chegou a ser de quase 16 pontos porcentuais.

A redução do ritmo de crescimento está atrelada ao ajuste populacional que o Brasil atravessa, sobretudo com a redução da taxa de fecundidade. De acordo com os dados do Banco Mundial, em 2010, a taxa de fecundidade no Brasil foi de 1,9 – em 1980 era de 4,1; dez anos mais tarde, passou para 2,8. “Como tem menos nascimentos, tem menos gente entrando no mercado de trabalho”, afirma André Portela, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em economia do trabalho.

O crescimento da força de trabalho no Brasil ainda é maior se comparado ao verificado nas economias mais maduras. A força de trabalho na União Europeia, por exemplo, terá uma expansão de 1,2% nesta década.  Os dados da projeção populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reforçam a tese de baixo crescimento e envelhecimento da população. Em 2020, a porcentagem de idosos no Brasil terá um peso bem maior do que tinha em 1980. Em 2050, essa participação deverá se ampliar ainda mais.

A redução do ritmo de crescimento da força de trabalho coloca em debate o desempenho da do trabalho do Brasil. “A economia vai depender cada vez da desses adultos, para que eles sejam capazes de manter e aumentar a per capita da população”, diz Portela. Para especialistas, a redução do ritmo da força de trabalho reforça a necessidade de investimentos em questões que melhorem a e, sobretudo, na . “A gente sempre teve um gasto per capita grande com a população mais idosa. Mas os mais jovens foram crescendo com pouco preparo técnico”, afirma Regina Madalozzo, professora do Insper.

“Nós temos de garantir que quem está nascendo agora tenha uma boa educação e uma formação para que consigam sustentar o País”, diz Regina. Com o aquecimento do mercado de trabalho, a baixa qualificação dos trabalhadores ficou escancarada. Segundo Denise Delboni, professora de relações trabalhistas da Faculdade de Economia da Faap, os jovens que entram no mercado de trabalho estão tendo dificuldade para conseguir emprego por causa do pouco preparo que têm.

“Temos poucos jovens qualificados, por isso muitos idosos continuam trabalhando”, afirma a professora, para quem o crescimento dá força de trabalho ainda dá “fôlego” para manter o desenvolvimento do País. “O aposentado continua no mercado de trabalho por duas razões: a aposentadoria é ruim e o filho dele não consegue entrar no mercado”, afirma. Na avaliação de Portela, da FGV, a importação de mão de obra qualificada pode ser uma das alternativas para melhorar a competitividade do Brasil. “Essas pessoas já são produtivas, ajudam o País e podem treinar os novos trabalhadores.”

Fonte: Luiz Guilherme Gerbelli – O Estado de S. Paulo, em 22.04.2012

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A Prefeitura de Jundiaí, por meio da Secretaria de , realiza, na próxima quarta-feira (18), das 8h às 17h, o 3º Encontro Internacional de Jundiaí sobre Infantil, no auditório Elis Regina, Complexo Argos.  O evento, que conta com palestrantes internacionais como a arte-educadora dinamarquesa, Anna Marie Holm, a educadora argentina e presidente da Rede Solare Argentina Paraguai, Profª Maria Victória Alfiei e o consultor especialista em do Banco Mundial, Leandro Costa, é voltado para gestores das secretarias municipais de , cultura e assistência social, além de pesquisadores, professores universitários e gestores de escolas públicas e privadas. O professor e pesquisador Naercio Menezes Filho, do CPP-Insper, participa do evento pela manhã e aborda o tema Custos e Benefícios da Educação Infantil.

Fonte: Rádio Difusora Jundiaí (online).

 

Da Redação do Diário do Grande ABC

A expansão da economia deu mais poder ao trabalhador. Em busca de melhores vagas em um mercado aquecido, a quantidade de brasileiros que se demite das empresas é recorde. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que 30,5% dos desligamentos no primeiro bimestre ocorreram por decisão do trabalhador. O País teve quase 3,2 milhões de desligamentos até fevereiro, sendo 969 mil por iniciativa do empregado.

No primeiro bimestre de 2003, ano do início da pesquisa, a situação era bem diferente: as saídas voluntárias somavam 17,7%. Os dados anualizados confirmam a tendência de aumento do desligamento espontâneo. Na média do ano passado, 28,3% das demissões foram por iniciativa do funcionário – em 2003, a proporção foi de 16,8%. “Numa situação de desemprego mais baixo e com perspectiva de crescimento, a viabilidade de obter um emprego melhor e uma ocupação mais favorável tende a ganhar mais força”, diz Claudio Dedecca, professor da Unicamp.

Os números do Caged de admitidos este ano comprovam a manutenção do aquecimento do . Até fevereiro, as admissões superaram os desligamentos em 269,5 mil. É possível notar uma relação entre o desempenho dos desligamentos espontâneos com a variação da média anual medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De 2008 para 2009, por causa da crise econômica, o desemprego médio anual cresceu de 7,9% para 8,1%; no período, os desligamentos voluntários caíram de 23,8% para 21,7%. “Assim que o desemprego cai de novo em 2010, começa a aumentar o pedido de demissão voluntária”, diz a professora Regina Madalozzo, da escola de negócios Insper.

Na avaliação dela, haveria ainda mais desligamentos voluntários se a legislação trabalhista do País fosse menos rígida. Com o crescimento dos pedidos de demissão, a influência das empresas no total de desligamentos perdeu participação. No ano passado, os desligamentos por decisão das empresas corresponderam a 55,7% do total, o mais baixo da série histórica. As demissões por iniciativa do trabalhador cresceram em todos os Estados, mas o índice ainda é bastante desigual entre as regiões. Nos Estados do Norte e do Nordeste, por exemplo, o fim do contrato de trabalho é definido majoritariamente pelas empresas.

“É importante ressaltar que o crescimento (dos desligamentos espontâneos) se compara às demissões sem justa causa, por iniciativa do empregador. O grosso das demissões em alguns setores e regiões ainda é em um volume muito maior por iniciativa da empresa”, diz Claudio Dedecca, da Unicamp. Nos primeiros dois meses do ano, o Piauí foi o Estado com menos saídas espontâneas – 11,8% do total. A Paraíba (12%) e o Rio Grande do Norte (13,7%) são os outros Estados com menor número de demissões voluntárias.

Na contramão, a Região Sul, que tem índices de acima da média do País, é a que tem o maior índice de desligamentos por iniciativa do trabalhador. Santa Catarina é o único Estado em que os desligamentos espontâneos superam as outras formas de demissão. Entre janeiro e fevereiro, 46,2% dos trabalhadores catarinenses pediram demissão. Na sequência do ranking nacional, estão Paraná (40,1%) e Rio Grande do Sul (35,9%).

Os Estados do Centro-Oeste também apresentam alto nível de desligamentos, sobretudo Mato Grosso do Sul (35,8%) e Mato Grosso (34,8%). São Paulo também fica acima da média do País, com 32,9% das demissões por iniciativa do trabalhador. O desligamento espontâneo aumentou em trabalhadores de todos os níveis de qualificação, de acordo com Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O aumento da oferta de trabalho fez os profissionais qualificados serem disputados por empresas que sofrem com falta de mão de obra qualificada para expandir seus negócios, enquanto os profissionais com pouca formação mudam de emprego em busca de aumento, pois também são beneficiados pela demanda crescente por seus serviços. “Se o trabalhador estiver ganhando R$ 800 por mês, mas encontrar um emprego que pague R$ 1.000, ele não pensa duas vezes em trocar”, diz o técnico do Dieese. “Ele vai arriscar e procurar nova oportunidade.”

Entre os setores com maior rotatividade, Lúcio cita a construção civil. Na avaliação do técnico do Dieese, o mercado de trabalho atravessa um período único no País, já que antes eram as empresas que colocavam exigências na hora da contratação. “No passado, quem tinha mais de 40 anos era descartável, enquanto os jovens não conseguiam emprego pela falta de experiência.”

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Por Luis Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

O deverá continuar aquecido neste ano. Porém, o crescimento do emprego terá um ritmo menor do que o verificado em anos anteriores. Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) sobre criação de vagas já mostram uma tendência de redução da alta. Em fevereiro, por exemplo, foram abertos 150,6 mil postos, resultado 57% menor do que no mesmo mês do ano passado.

“O mercado de trabalho deve continuar aquecido, mas o crescimento deve ser menos veloz até por uma questão natural. É mais fácil reduzir a taxa de 10% para 9% do que de 5% para 4%”, afirma André Portela, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP) e especialista em economia do trabalho.

Segundo o último Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a previsão é que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresça 3,2% este ano e 4,2% em 2013. A última Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou um baixo índice de desocupação no País. Em fevereiro, o desemprego foi de 5,7%, menor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2002.

Com o mercado de trabalho ainda em crescimento, a tendência é que os desligamentos espontâneos continuem crescendo. Outro fator que também vai pesar para um desemprego menor é que o crescimento da população que ingressará no mercado de trabalho deverá ser menor nos próximos anos.

“No passado, nós tínhamos um crescimento de 10% para um população que crescia 4%. Hoje, o País cresce 5%, mas a população aumenta bem menos”, diz Claudio Dedecca, professor da Unicamp. Além de ser positivo para o próprio funcionário, o aumento dos desligamentos espontâneos é benéfico para o País, segundo Regina Madalozzo, professora do Insper. “O fato de o trabalhador escolher onde vai trabalhar garante a ele um ganho de bem-estar. O trabalhador não estará naquele emprego porque é sua única opção, mas sim porque, na maioria das vezes, ele escolheu estar lá.”

 

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